Nanã
Senhora das águas primordiais e do lodo da criação. Ensina que toda vida emerge da profundeza e que a memória ancestral é a raiz de tudo que somos.
Aprendendo com a Dança das Águas
O projeto Eko Pèlú Ìjó Òmì fortalece saberes ancestrais por meio da dança, da oralidade e das experiências coletivas de aprendizagem inspiradas nos ensinamentos das Iyabás.
Eko Pèlú Ìjó Òmì — Aprendendo com a Dança das Águas é uma iniciativa da Egbé Ypò Òrun realizada com apoio do Edital Mãe Gilda de Ogum, voltado ao fortalecimento dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana.
O projeto articula ancestralidade, corpo, espiritualidade e educação decolonial por meio da dança das Iyabás, da oralidade e de vivências coletivas que valorizam os saberes afro-brasileiros como instrumentos vivos de cuidado, identidade e fortalecimento comunitário.
As águas que as Iyabás habitam — doces, salgadas, paradas ou em movimento — ensinam sobre os ciclos da vida, a força do coletivo e a continuidade da memória ancestral que sustenta as comunidades de terreiro.
Todo aprendizado começa por uma abertura.
Na tradição afro-brasileira, Exu é o senhor dos caminhos, da comunicação e dos encontros. Por isso, iniciamos esta jornada saudando aquele que possibilita o movimento, a transformação e o encontro entre saberes.
As grandes mães orixás das águas são os pilares pedagógicos do projeto. Seus ensinamentos guiam cada atividade, cada gesto e cada reflexão sobre corpo, cuidado e ancestralidade.
Senhora das águas primordiais e do lodo da criação. Ensina que toda vida emerge da profundeza e que a memória ancestral é a raiz de tudo que somos.
Guardiã dos mistérios e da transformação silenciosa. Ensina a perceber o que não é dito e a valorizar o que está além do visível.
Rainha das águas doces e da beleza que nutre. Ensina que o amor, a alegria e o cuidado de si são fundamentos essenciais da vida em comunidade.
Guerreira das águas profundas e da independência. Ensina sobre determinação, a força que nasce do próprio caminho e o respeito pela autonomia de cada ser.
Guerreira das águas agitadas e dos recomeços. Ensina sobre coragem e a capacidade de transformar adversidades em caminhos de crescimento.
Rainha dos ventos e das grandes transformações. Ensina que a mudança faz parte da existência e que na ventania nasce a possibilidade do novo.
Mãe das águas e da imensidão. Ensina sobre acolhimento, proteção e a força que nasce do pertencimento e da vida em comunidade.
Os saberes das Iyabás são transmitidos de geração em geração. Aprender com a dança é aprender com o que o corpo e a memória recordam.
O movimento é linguagem. Cada gesto carrega significado, memória e pertencimento. Cuidar do corpo é cuidar da comunidade.
As Iyabás ensinam a relação entre o ser humano e as forças da natureza. Cuidar do território é uma prática sagrada e coletiva.
A dança é ato coletivo. Cada roda de encontro fortalece os vínculos que sustentam a vida comunitária e o sentido de pertencimento.
"Senti como se estivesse caminhando dentro de um rio de águas turvas, que deixava meu corpo mais pesado. Ao mesmo tempo, o movimento das mãos devagar me fez sentir como se eu estivesse navegando nessas águas. Ainda que devagar, eu conseguia me mover, em outro tempo."
"Dançando Oyá, senti como se o vento saísse de dentro de mim e como se meus pés não tocassem mais o chão."
"Dançar Iemanjá foi como flutuar. Eu me sentia nadando em uma onda, indo e voltando. Meu corpo ficou mais leve."
O projeto Eko Pèlú Ìjó Òmì foi contemplado pelo Edital Mãe Gilda de Ogum, iniciativa do Ministério da Igualdade Racial em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), voltada ao fortalecimento dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e Povos de Terreiro.
Realização
Egbé Ypò Òrun
Apoio
Edital Mãe Gilda de Ogum